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quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

FINAL DE ANO

Primeiramente, somos uma espécie altamente adepta a simbologias. A data de nascimento de um importante personagem histórico ou a virada do ano nada mais são que símbolos. Existem fortes imprecisões na determinação da data do nascimento de Cristo. Um ano, nada mais é que o período (com 4 horas de imprecisão) que a Terra leva para rodear o sol. Além disso, não existe nada astronomicamente memorável no momento estabelecido como nosso ano novo. Talvez fosse melhor mudarmos de ano no solstício do dia 21 de Dezembro. É por isso que, sendo puramente racionais, não faria sentido idolatrar esses símbolos. Mesmo assim não acho incongruente da minha parte celebrar as festividades de fim de ano sendo ateu e materialista (no sentido de valorizar o concreto, não de me apegar aos bens materiais). Encaro o natal como a celebração da nossa vida em sociedade, especialmente nossa unidade social, a família. O natal para mim é a principal época de retribuir o altruísmo que me foi concedido, ou pelo menos agradecer por ele (o agradecimento funcionando como uma nota promissória de reciprocidade futura). Sem reciprocidade a socialidade perece, especialmente se não houver laços fortes de parentesco. Por isso considero o natal uma data extremamente importante. Já o réveillon para mim é a data da renovação. É quando analisamos o ano que passou para projetar o futuro. Obviamente também é simbólico, uma meia-noite como qualquer outra das 364, mas precisamos de uma data para fazer as coisas, como uma meta socialmente imposta para repensarmos a vida e celebrarmos os acertos. Assim sendo, seja você cristão, budista, macumbeiro, cubista, corintiano ou ateu, feliz ano novo e até 2014.

quinta-feira, 2 de março de 2017

É preciso tolerar e aceitar as pessoas como elas são, porém, conservando-nos o direito de nos afastar cordialmente de quem não nos agrada.

A tolerância é uma necessidade urgente neste mundo violento de hoje, em que uma simples discussão no trânsito pode chegar a provocar mortes. A intolerância é a mãe do preconceito, da exclusão, do racismo, de tudo, enfim, que segrega, separa e agride o que não se aceita, o que não se acha normal, o que incomoda sem nem haver razão. Sim, é preciso tolerar e aceitar as pessoas como elas são, porém, conservando-nos o direito de nos afastar cordialmente de quem não nos agrada. Podemos entender que o outro tem a própria maneira de pensar, que sua história de vida é peculiar e suas bagagens podem ser totalmente diferentes das nossas. Podemos compreender que as verdades alheias, por mais que nos soem ilógicas e absurdas, são do outro tão somente e não necessariamente nossas. Desde que não nos firam, as escolhas do outro não nos dizem respeito. Desde que o outro esteja feliz, sem pisar ninguém, não temos como tentar intervir em estilos de vida que não são nossos. Devemos saber discordar sem ofender, sem tentar impor o que pensamos como verdade absoluta – isso é arrogância burra. Necessitamos ouvir o que o outro tem a dizer, por mais que não enxerguemos ali razão alguma, mesmo que o que disserem ou fizerem seja exatamente o contrário de tudo o que temos como certo. Desde que não nos ofendam, nem ultrapassem os limites de nossa dignidade pessoal, os outros terão o direito de viver o que bem quiserem. Por força maior, como o emprego ou a família, inevitavelmente estaremos sujeitos à obrigação de conviver ao lado de pessoas com quem não simpatizamos ou cujas ideias não se afinem minimamente com as nossas. No entanto, sempre poderemos escolher quem ficará ao nosso lado nos momentos mais preciosos de nossa jornada, enquanto construímos nossa história de vida, de luta e de amor. Da mesma forma, conseguiremos nos desviar de quem nos desagrada, afastando-nos das pessoas que nada nos acrescentam, sem precisar criticá-las ou brigar com elas. Sim, podemos – e devemos – aceitar as pessoas como elas são, pois isso é o mínimo que se requer, em se tratando de sociedade, porém, não seremos obrigados a conviver além do necessário, além do suportável, além do adequado, com gente que enche a paciência e nos irrita. Isso seria masoquismo. MARCEL CAMARGO

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Eu

A melhor parte de viver, é saber que vai morrer.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Viver Melhor

Todos queremos ser felizes, viver melhor. Entretanto, ouçamos a experiência. A felicidade não é um tapete mágico. Ela nasce do bem que você espalhe, não daqueles que se acumulam inutilmente. Tanto isto é verdade que a alegria é a única doação que você pode fazer sem possuir nenhuma. Você pode estar em dificuldade e suprimir muitas dificuldades dos outros. Conquanto às vezes sem qualquer consolação, você dispõe de imensos recursos para reconfortar e reerguer os irmãos em prova ou desvalimento. A receita de vida melhor será sempre melhorar-nos, através da melhora que venhamos a realizar para os outros. A vida é dom de Deus em todos. E quem serve só pra si não serve para os objetivos da vida, porque viver é participar, progredir, elevar, integrar-se. Se aspiramos a viver melhor, escolhamos o lugar de servir na causa do bem de todos. Para isso, não precisa você condicionar-se a alheios pontos de vista.. Engaje-se na fileira de servidores que se lhe afine com as aptidões. Aliste-se em qualquer serviço no bem comum. É tão importante colaborar na higiene do seu bairro ou na construção de uma escola, quanto auxiliar a uma criança necessitada ou prestar apoio a um doente. Procure a Paz, garantindo a Paz onde esteja. Viva em segurança, cooperando na segurança dos outros. Aprendamos a entregar o melhor de nós à vida que nos rodeia e a vida nos fará receber o melhor dela própria. Seja feliz, fazendo os outros felizes. Saia de você mesmo ao encontro dos outros, mas não resmungue, nem se queixe contra ninguém. E os outros nos farão encontrar Deus. Não julgue que semelhante instrução seja assunto unicamente para você que ainda se acha na Terra. Se você acredita que os chamados mortos estão em paz gratuita, engano seu, porque os mortos se quiserem paz que aprendam a sair de si mesmos e a servirem também. (Obra: Respostas da Vida - Chico Xavier/André Luiz)

quinta-feira, 15 de março de 2012

Maravilhosa Lição de Vida!

Na fila do supermercado, o caixa diz a uma senhora idosa:

- A senhora deveria trazer suas próprias sacolas para as compras, uma vez que sacos de plástico não são amigáveis ao meio ambiente.

A senhora pediu desculpas e disse:

- Não havia essa onda verde no meu tempo.

O empregado respondeu:

- Esse é exatamente o nosso problema hoje, minha senhora. Sua geração não se preocupou o suficiente com  nosso meio ambiente.

- Você está certo - responde a velha senhora - nossa geração não se preocupou adequadamente com o meio ambiente. Naquela época, as
garrafas de leite, garrafas de refrigerante e cerveja eram devolvidos à loja. A loja mandava de volta para a fábrica, onde eram lavadas e
esterilizadas antes de cada reuso, e eles, os fabricantes de bebidas, usavam as garrafas, umas tantas outras vezes.

Realmente não nos preocupamos com o meio ambiente no nosso tempo.
Subíamos as escadas, porque não havia escadas rolantes nas lojas e nos escritórios. Caminhamos até o comércio, ao invés de usar o nosso carro
de 300 cavalos de potência a cada vez que precisamos ir a dois quarteirões.

Mas você está certo. Nós não nos preocupávamos com o meio ambiente.
Até então, as fraldas de bebês eram lavadas, porque não havia fraldas descartáveis. Roupas secas: a secagem era feita por nós mesmos, não
nestas máquinas bamboleantes de 220 volts. A energia solar e eólica é que realmente secavam nossas roupas. Os meninos pequenos usavam as
roupas que tinham sido de seus irmãos mais velhos, e não roupas sempre novas.

Mas é verdade: não havia preocupação com o meio ambiente, naqueles dias. Naquela época só tínhamos somente uma TV ou rádio em casa, e não uma TV em cada quarto. E a TV tinha uma tela do tamanho de um lenço, não um telão do tamanho de um estádio; que depois será descartado como?

Na cozinha, tínhamos que bater tudo com as mãos porque não havia máquinas elétricas, que fazem tudo por nós. Quando embalávamos algo um
pouco frágil para o correio, usamos jornal amassado para protegê-lo, não plastico bolha ou pellets de plástico que duram cinco séculos para
começar a degradar. Naqueles tempos não se usava um motor a gasolina apenas para cortar a grama, era utilizado um cortador de grama que
exigia músculos. O exercício era extraordinário, e não precisava ir a uma academia e usar esteiras que também funcionam a eletricidade.

Mas você tem razão: não havia naquela época preocupação com o meio ambiente. Bebíamos diretamente da fonte, quando estávamos com sede, em vez de usar copos plásticos e garrafas pet que agora lotam os oceanos.
Canetas: recarregávamos com tinta umas tantas vezes ao invés de comprar uma outra. Abandonamos as navalhas, ao invés de jogar fora
todos os aparelhos 'descartáveis' e poluentes só porque a lámina ficou sem corte.

Na verdade, tivemos uma onda verde naquela época. Naqueles dias, as pessoas tomavam o bonde ou ônibus e os meninos iam em suas bicicletas
ou a pé para a escola, ao invés de usar a mãe como um serviço de táxi 24 horas. Tínhamos só  uma tomada em cada quarto, e não um quadro de
tomadas em cada parede para alimentar uma dúzia de aparelhos. E nós não precisávamos de um GPS para receber sinais de satélites a milhas
de distância no espaço, só para encontrar a pizzaria mais próxima.

Então, não é risível que a atual geração fale tanto em meio ambiente, mas não quer abrir mão de nada e não pensa em viver um pouco como na
minha época?

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Estrela esperança

Contam as lendas que, quando foi concluída a criação, as estrelas vieram visitar a Terra.

A estrela amarela, simbolizando as riquezas, visitou todos os recantos e voltou ao veludo escuro da noite, tomando seu lugar no firmamento.

A estrela azul, simbolizando os rios e os mares, igualmente deu um giro em todas as profundezas e retornou.

As demais estrelas simbolizando o restante da natureza, fizeram o mesmo, e todas se engastaram nos lugares definitivos onde deveriam permanecer para sempre.

Todas voltaram, menos uma, por discreta determinação do rei do firmamento.

E quando perceberam a sua ausência, os demais astros buscaram-na aflitos, de longe. Então perceberam, entre os sofredores e necessitados do mundo, a sua luz faiscando em tom verde.

Por isso, é que a esperança nunca abandona a vida.

Através de uma lenda, os poetas encontraram uma maneira de falar da esperança.

Quando a noite escura do desalento invadir a nossa vida, lembremos a suave luz da esperança que não nos deixa a sós, e recobremos o passo, no compasso da harmonia.

Quando sentirmos os ferimentos da cruz de espinhos a vergastar nossos ombros, permitamos que o brilho inapagável da esperança nos console.

Se o véu escuro da morte se estender sobre os olhos físicos dos seres amados, lembremos que a imortalidade, mensageira da esperança, vem lhes descortinar horizontes novos, no além túmulo.

Ainda que os dias de sofrimento pareçam não ter fim...

Ainda que a enfermidade anuncie que veio para ficar...

Ainda que os amigos abandonem os nossos passos, deixando-nos caminhar a sós...

Ainda que tenhamos a impressão de que o Pai Divino nos esqueceu, lembremos da sublime lâmpada da esperança, e permitamos que ela ilumine a nossa alma, plenificando-a com suave claridade, anunciando um novo alvorecer.

Lembremos sempre que, por mais escura e longa que seja a noite, o sol sempre volta a brilhar, e com ele, novas oportunidades de construirmos a nossa felicidade.

Para tanto, devemos permitir que a esperança siga conosco como portadora da chave que abre a aurora e vence o crepúsculo.

***

A esperança se apresenta em nossas vidas de várias maneiras:

Pode estar presente num sorriso...

Num olhar de ternura...

Num aperto de mão...

Num afago...

Podemos encontrá-la, ainda, na suave brisa de uma manhã de sol...

Na serenidade das gotas de chuva, caindo devagar...

No cinza escuro da paisagem crestada pela neve a anunciar que, em breves dias, tudo estará reverdecido novamente, sob os diversos matizes de cores e perfumes, mostrando que a esperança está presente, e jamais nos abandona.

sábado, 14 de agosto de 2010

O tempo e as jabuticabas

Contei meus anos e
descobri que terei menos tempo para viver
daqui para frente do que já vivi até agora.
Tenho mais passado do que futuro...
Sinto-me como aquele menino
que ganhou uma bacia de jabuticabas...
As primeiras, ele chupou displicente...
mas percebendo que faltam poucas,
rói o caroço...
Já não tenho tempo
para lidar com mediocridades...
Não quero estar em reuniões
onde desfilam egos inflados.
Inquieto-me com invejosos
tentando destruir quem eles admiram,
cobiçando seus lugares, talentos e sorte.
Já não tenho tempo
para conversas intermináveis...
Já não tenho tempo para administrar
melindres de pessoas que,
apesar da idade cronológica,
são imaturas...
Detesto fazer acareação de desafetos
que brigaram pelo majestoso
cargo de secretário geral do coral...
As pessoas não debatem conteúdos...
apenas os rótulos...
Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos...
quero a essência...
minha alma tem pressa...
Sem muitas jabuticabas na bacia,
quero viver ao lado de gente humana, muito humana;
que sabe rir de seus tropeços...
não se encanta com triunfos...
não se considera eleita antes da hora...
não foge de sua mortalidade..
Caminhar perto de coisas e pessoas de verdade...
O essencial faz a vida valer a pena...
e para mim
basta o essencial...

Por: Rubem Alves

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

A colaboração

Uma das virtudes pouco lembrada é a colaboração.

A vida, pródiga de sabedoria em toda parte, demonstra o princípio da cooperação em todos os seus planos.

O verme enriquece a terra e a terra sustenta o verme.

A fonte auxilia as árvores e as árvores conservam a fonte.

O solo ampara a semente e a semente valoriza o solo.

As águas formam as nuvens e as nuvens alimentam as águas.

A abelha ajuda a fecundação das flores e as flores contribuem com as abelhas no fabrico do mel.

Um pão singelo é gloriosa síntese do trabalho de equipe da natureza.

Sem as lides da sementeira, sem as dádivas do sol, sem as bênçãos da chuva, sem a defesa contra os adversários da lavoura, sem a assistência do homem, sem o concurso do moinho e sem o auxílio do forno, o pão amigo deixaria de existir.

Um casaco inexpressivo é fruto do esforço conjugado do fio, do tear, da agulha e do costureiro, solucionando o problema da vestidura.

Podemos perceber nesses exemplos de colaboração um convite para que sejamos também colaboradores.

Sem nos darmos conta, muitos colaboram conosco no decorrer dos dias. São os médicos que nos atendem com presteza e afeto, doando-se além da sua obrigação. Professores que fazem jus ao seu salário, mas se empenham um tanto mais para que os alunos aprendam as lições.

É a sua colaboração espontânea.

Guardas de trânsito que se dedicam um pouco mais, prestando uma informação, ajudando alguém a atravessar a rua com delicadeza e boa disposição.

São os enfermeiros atenciosos que se esforçam por atender bem a um paciente, só porque seu coração assim o determina.

É alguém gentil que nos cede a passagem no trânsito. Um motorista anônimo que nos avisa do perigo na estrada. Um transeunte que ajuda um idoso ou cego a atravessar a rua...

Se é certo que pagamos por alguns desses serviços, também é certo que a dedicação e o carinho de cada profissional, ninguém, nem dinheiro algum, pode pagar. É a sua colaboração para o bem-estar do semelhante.

Se não nos damos conta de tudo isso, é porque talvez estejamos cegos para as coisas boas, ou porque estamos acostumados a perceber somente as coisas ruins.

É importante que tenhamos olhos para ver também as coisas boas que nos cercam.

Assim, também poderemos dar a nossa colaboração por mais singela que seja. Onde quer que estejamos. Para que a nossa vida e a vida dos que caminham conosco nessa estrada evolutiva possa ser mais suave.

Agindo com espírito de colaboração em tudo o que fizermos, estaremos colaborando de forma efetiva para o nosso próprio progresso espiritual. Porque extrapolamos as nossas obrigações para adentrar na função que nos cabe no progresso moral da humanidade.

sábado, 17 de julho de 2010

A flor da honestidade

Conta-se que, por volta do ano 250 a.C., na China Antiga, um príncipe da região norte do país estava às vésperas de ser coroado imperador, mas, de acordo com a lei, ele deveria se casar.
 
Sabendo disso, ele resolveu fazer uma disputa entre as moças da corte ou quem quer que se achasse digna de sua proposta.
 
No dia seguinte, o príncipe anunciou que receberia, numa celebração especial, todas as pretendentes e lançaria um desafio.
 
Uma velha senhora, serva do palácio há muitos anos, ouvindo os comentários sobre os preparativos, sentiu uma leve tristeza, pois sabia que sua jovem filha nutria um sentimento de profundo amor pelo príncipe.
 
Ao chegar em casa e relatar o fato à jovem, espantou-se ao saber que ela pretendia ir à celebração, e indagou incrédula:
 
Minha filha, o que você fará lá? Estarão presentes todas as mais belas e ricas moças da corte. Tire esta idéia insensata da cabeça. Eu sei que você deve estar sofrendo, mas não torne o sofrimento uma loucura.
 
E a filha respondeu: Não, querida mãe, não estou sofrendo e muito menos louca. Eu sei que jamais poderei ser a escolhida, mas é minha oportunidade de ficar, ao menos alguns momentos, perto do príncipe. Isto já me torna feliz.
 
À noite, a jovem chegou ao palácio. Lá estavam, de fato, todas as mais belas moças, com as mais belas roupas, com as mais belas jóias e com as mais determinadas intenções.
 
Então, finalmente, o príncipe anunciou o desafio:
 
Darei a cada uma de vocês, uma semente. Aquela que, dentro de seis meses, me trouxer a mais bela flor, será escolhida minha esposa e futura imperatriz da China.
 
A proposta do príncipe não fugiu às profundas tradições daquele povo, que valoriza muito a especialidade de cultivar algo, sejam costumes, amizades, relacionamentos etc...
 
O tempo passou e a doce jovem, como não tinha muita habilidade nas artes da jardinagem, cuidava com muita paciência e ternura da sua semente, pois sabia que se a beleza da flor surgisse, na mesma extensão do seu amor, ela não precisaria se preocupar com o resultado.
 
Passaram-se três meses e nada surgiu. A jovem tudo tentara, usara de todos os métodos que conhecia, mas nada havia nascido.
 
Dia após dia, ela percebia cada vez mais longe o seu sonho, mas cada vez mais profundo o seu amor.
 
Por fim, os seis meses haviam passado e nada havia brotado. Consciente do seu esforço e dedicação, a moça comunicou à sua mãe que, independente das circunstâncias, retornaria ao palácio, na data e hora combinadas, pois não pretendia nada além de mais alguns momentos na companhia do príncipe.
 
Na hora marcada estava lá, com seu vaso vazio, bem como todas as outras pretendentes, cada uma com uma flor mais bela do que a outra, das mais variadas formas e cores.
 
Ela estava admirada, nunca havia presenciado tão bela cena.
 
Finalmente chega o momento esperado e o príncipe observa cada uma das pretendentes com muito cuidado e atenção. Após passar por todas, uma a uma, ele anuncia o resultado e indica a bela jovem como sua futura esposa.
 
As pessoas presentes tiveram as mais inesperadas reações. Ninguém compreendeu porque ele havia escolhido justamente aquela que nada havia cultivado. Então, calmamente o príncipe esclareceu:
 
Esta foi a única que cultivou a flor que a tornou digna de se tornar uma imperatriz:a flor da honestidade, pois todas as sementes que entreguei eram estéreis.
 
A honestidade é como uma flor tecida em fios de luz, que ilumina quem a cultiva e espalha claridade ao redor.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

A Evolução da Educação.

Antigamente se ensinava e cobrava tabuada, caligrafia, redação, datilografia...
Havia aulas de Educação Física, Moral e Cívica, Práticas Agrícolas, Práticas
Industriais e cantava-se o Hino Nacional, hasteando a Bandeira Nacional antes
de iniciar as aulas..


Leiam o relato de uma Professora de Matemática:
Semana passada, comprei um produto que custou R$ 15,80. Dei à balconista R$ 20,00 e peguei na minha bolsa 80 centavos, para evitar receber ainda mais moedas. A balconista pegou o dinheiro e ficou olhando para a máquina registradora, aparentemente sem saber o que fazer.
Tentei explicar que ela tinha que me dar 5,00 reais de troco, mas ela não se
convenceu e chamou o gerente para ajudá-la. Ficou com lágrimas nos olhos enquanto o gerente tentava explicar e ela aparentemente continuava sem
entender. Por que estou contando isso?

Porque me dei conta da evolução do ensino de matemática desde 1950, que foi assim:

 1. Ensino de matemática em 1950:
Um lenhador vende um carro de lenha por R$ 100,00. O custo de
produção é igual a 4/5 do preço de venda. Qual é o lucro?

 2. Ensino de matemática em 1970:
Um lenhador vende um carro de lenha por R$ 100,00. O custo de produção é igual
a 4/5 do preço de venda ou R$ 80,00. Qual é o lucro?

 3. Ensino de matemática em 1980:
Um lenhador vende um carro de lenha por R$ 100,00. O custo de
 produção é R$ 80,00. Qual é o lucro?

 4. Ensino de matemática em 1990:
Um lenhador vende um carro de lenha por R$ 100,00. O custo de produção é R$
80,00. Escolha a resposta certa, que indica o lucro:
 ( )R$ 20,00 ( )R$ 40,00 ( )R$ 60,00 ( )R$ 80,00 ( )R$ 100,00

 5. Ensino de matemática em 2000:
Um lenhador vende um carro de lenha por R$ 100,00. O custo de
produção é R$ 80,00. O lucro é de R$ 20,00.
Está certo?
( )SIM ( ) NÃO

 6. Ensino de matemática em 2009:
Um lenhador vende um carro de lenha por R$ 100,00. O custo de produção é R$
80,00.Se você souber ler, coloque um X no R$ 20,00.
( )R$ 20,00 ( )R$ 40,00 ( )R$ 60,00 ( )R$ 80,00 ( )R$ 100,00

 7. Em 2010 vai ser assim:
Um lenhador vende um carro de lenha por R$ 100,00. O custo de produção é R$
80,00. Se você souber ler, coloque um X no R$ 20,00. (Se você é afro
descendente, especial, indígena ou de qualquer outra minoria social não
precisa responder)
( )R$ 20,00 ( )R$ 40,00 ( )R$ 60,00 ( )R$ 80,00 ( )R$ 100,00

 E se um moleque resolver pichar a sala de aula e a professora fizer com
 que ele pinte a sala novamente, os pais ficam enfurecidos pois a
 professora provocou traumas na criança.

Essa pergunta foi vencedora em um congresso sobre vida sustentável.

“Todo mundo está 'pensando' em deixar um planeta
 melhor para nossos filhos...
Quando é que se 'pensará' em deixar filhos
 melhores para o nosso planeta?"

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Saber agradecer

Muitos de nós costumamos reclamar das dificuldades do mundo, mas será que temos pensado nas facilidades que são colocadas em nossas mãos?

Apressamo-nos em quitar a conta de luz elétrica para não pagar a multa cobrada pelo atraso. Todavia, a usina solar que nos fornece claridade, calor e vida, não é lembrada em nossa conversa diária.

Reclamamos quando pagamos a conta de água encanada, mas sequer nos lembramos da gratuidade da água das chuvas e das fontes cristalinas que enriquecem a vida.

Gastamos elevada soma de dinheiro na aquisição de gêneros alimentícios que nos atendam ao paladar, contudo, o oxigênio, elemento mais importante a sustentar-nos o organismo, é utilizado em nosso sangue sem pesar-nos no orçamento.

Despendemos altos valores para renovar o guarda-roupa, e apesar disso, não nos lembramos o quanto devemos ao corpo de carne a resguardar-nos o espírito.

Remuneramos muito bem o profissional especializado pela adaptação de um só dente artificial; entretanto, nada tivemos que pagar para obter a dentadura natural completa. . .

Pagamos pelas drágeas medicamentosas para acalmar leve dor de cabeça, e esquecemos de que recebemos de graça a faculdade de pensar.

Pagamos altas quantias para assistir a um espetáculo esportivo ou artístico, contudo, podemos contemplar de graça o solo cheio de flores e o céu faiscante de estrelas...

Para ouvir as melodias de uma orquestra qualquer, temos que desembolsar quantia significativa, no entanto, ouvimos diariamente a divina música da natureza, sem consumir um único centavo...

Observando essas pequenas situações, nos daremos conta de que temos mais para agradecer do que para reclamar.

O que normalmente ocorre, é que o hábito de agradecer ainda não faz parte de nós.

Conforme a recomendação de Paulo, o apóstolo, devemos dar graças por tudo.

Um dia, uma senhora ouviu um orador fazer essa recomendação e logo que ele concluiu sua fala, ela aproximou-se dele e lhe falou:

Ah, meu amigo, como é que eu posso dar graças por tudo, se a minha mãe está internada num hospital há meses, fazendo tratamentos dolorosos?

Pense, minha amiga, que tantas mães morrem nas sarjetas sem cuidados médicos nem assistência amiga de um familiar, e a sua genitora pode dispor de um hospital e de toda uma equipe de médicos e enfermeiros para atendê-la.

A senhora retrucou:

É, meu amigo, mas eu só sobrevivo à custa de dez remédios diferentes que tomo todos os dias...

O orador, que realmente desejava mostrar-lhe que tinha motivos para agradecer, respondeu compassivo:

Veja a senhora que existem tantas pessoas que não têm recursos para comprar um único remédio para aliviar a dor, enquanto a senhora pode comprar dez...

Por fim, a senhora entendeu que tinha motivos de sobra para agradecer a Deus por tudo...
 
Deus nos dá sempre o de que necessitamos, embora nem sempre seja o que gostaríamos de receber.

É que Deus sabe o que é melhor para nosso progresso. Como Pai justo e bom, não leva em conta nossas reclamações e oferece-nos sempre um novo dia repleto de oportunidades para que gravitemos para Seu amor, que é fonte inesgotável de bênçãos.

segunda-feira, 15 de março de 2010

Idosos ou velhos?

Você se considera uma pessoa idosa, ou velha?
Acha que é a mesma coisa?

Pois então ouça o depoimento de um idoso de setenta anos:

Idosa é uma pessoa que tem muita idade. Velha é a pessoa que perdeu a jovialidade.

A idade causa degenerescência das células. A velhice causa a degenerescência do espírito. Por isso nem todo idoso é velho e há velho que ainda nem chegou a ser idoso.

Você é idoso quando sonha. É velho quando apenas dorme.

Você é idoso quando ainda aprende. É velho quando já nem ensina.

Você é idoso quando pratica esportes, ou de alguma outra forma se exercita. É velho quando apenas descansa.

Você é idoso quando ainda sente amor. É velho quando só tem ciúmes e sentimento de posse.

Você é idoso quando o dia de hoje é o primeiro do resto de sua vida. É velho quando todos os dias parecem o último da longa jornada.

Você é idoso quando seu calendário tem amanhãs. É velho quando seu calendário só tem ontens.

O idoso é aquela pessoa que tem tido a felicidade de viver uma longa vida produtiva, de ter adquirido uma grande experiência. Ele é uma ponte entre o passado e o presente, como o jovem é uma ponte entre o presente e o futuro. E é no presente que os dois se encontram.

Velho é aquele que tem carregado o peso dos anos, que em vez de transmitir experiência às gerações vindouras, transmite pessimismo e desilusão. Para ele, não existe ponte entre o passado e o presente, existe um fosso que o separa do presente pelo apego ao passado.

O idoso se renova a cada dia que começa; o velho se acaba a cada noite que termina. O idoso tem seus olhos postos no horizonte de onde o sol desponta e a esperança se ilumina.

O velho tem sua miopia voltada para os tempos que passaram.

O idoso tem planos. O velho tem saudades. O idoso curte o que resta da vida. O velho sofre o que o aproxima da morte.

O idoso se moderniza, dialoga com a juventude, procura compreender os novos tempos. O velho se emperra no seu tempo, se fecha em sua ostra e recusa a modernidade.

O idoso leva uma vida ativa, plena de projetos e de esperanças.

Para ele o tempo passa rápido, mas a velhice nunca chega.

O velho cochila no vazio de sua vida e suas horas se arrastam destituídas de sentido. As rugas do idoso são bonitas porque foram marcadas pelo sorriso. As rugas do velho são feias porque foram vincadas pela amargura.

Em resumo, idoso e velho, são duas pessoas que até podem ter a mesma idade no cartório, mas têm idade bem diferente no coração.

A vida, com suas fases de infância, juventude, madureza, é uma experiência constante.

Cada fase tem seu encanto, sua doçura, suas descobertas. Sábio é aquele que desfruta de cada uma das fases em plenitude, extraindo dela o melhor. Somente assim, na soma das experiências e oportunidades, ao final dos seus anos guardará a jovialidade de um homem sábio.

Se você é idoso, guarde a esperança de nunca ficar velho.

sábado, 6 de março de 2010

Perversidade e violência

A onda crescente de delinqüência que se espalha por toda a Terra assume proporções catastróficas, imprevisíveis, exigindo de todos os homens honestos e lúcidos acuradas reflexões.

Irrompendo, intempestivamente, faz-se avassaladora, em vigoroso testemunho de barbárie, qual se a loucura se abatesse sobre as mentes, em particular junto à inexperiente juventude, em proporções inimagináveis e aflitivas.

Sociólogos, educadores, psicólogos e religiosos preocupados com a expressiva quantidade de delinqüentes de toda sorte, especialmente os perversos e violentos, aprofundam pesquisas, improvisam soluções, métodos mal elaborados.

Precipitadamente oferecem sugestões que triunfam por um dia e sucumbem no imediato, tudo prosseguindo como antes, senão mais turbulento, mais inquietador.

Enquanto a delinqüência grassava entre os jovens das classes sociais menos aquinhoadas, era atribuída à falta de recursos financeiros e de educação.

Mas hoje, a mídia tem divulgado inúmeros casos de perversidade e violência praticados por jovens que pertencem a famílias abastadas, o que afasta a hipótese da falta de dinheiro ou de instrução.

Tudo isso nos leva a crer que a linhagem social e a tradição não são obstáculos à manifestação da delinqüência, uma vez que dentro dessas famílias os exemplos nem sempre são salutares.

Percebe-se no seio das famílias ditas tradicionais, a inversão de valores, a corrupção dos costumes, o desprezo às leis, a imposição dos caprichos pessoais em detrimento da justiça, e assim por diante.

Ainda na mesma linha de raciocínio, percebe-se pais que transferem a educação a terceiros, porque não têm tempo para dedicar à prole, uma vez que precisam dedicar as horas aos compromissos sociais.

Não se dão conta, esses pais, que pela vivência estabelecem diretrizes de comportamento aos filhos, de cujas ações não podem se queixar mais tarde.

Ademais, devemos considerar que a leviandade de mestres e educadores imaturos, não habilitados moralmente para os relevantes misteres de preparação das mentes e caracteres em formação, contribui, igualmente, com larga quota de responsabilidades no capítulo da delinqüência juvenil, da agressividade e da violência vigentes.

Devemos considerar ainda, que se quisermos eliminar o problema da perversidade e da violência da nossa sociedade, será preciso mais que medidas punitivas.

Será preciso reformular conceitos, repensar valores, reformar a intimidade, e adotar a Doutrina Cristã como diretriz segura para os nossos passos.

Ensinar à criança e ao jovem a valorização e o respeito pela vida, através do próprio exemplo.

E, por fim, apresentar Jesus aos nossos filhos. Apresentá-Lo como Modelo e Guia da Humanidade, como psicoterapeuta ideal que nos conduzirá a Deus, porque conhece o caminho.
 
O homem iluminado interiormente pela flama cristã da certeza quanto à sobrevivência do Espírito ao túmulo e da sua antecedência ao berço, sabendo-se herdeiro de si mesmo, modifica-se e muda o meio onde vive, transformando a comunidade que deixa de a ele se impor para dele receber a contribuição expressiva e retificadora.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Julgamento alheio

Famosos são os julgamentos da História. O de Nuremberg, que o Mundo todo acompanhou, opinando pela punição dos que barbaramente, durante a Segunda Guerra Mundial, haviam torturado e matado seres humanos.

O de Jesus, em que se verifica a injustiça gritando alto e superando o bom senso da justiça e da verdade.

Julgamentos de pessoas famosas que cometeram atos criminosos ou desabonadores.

Julgamentos de criminosos que, de alguma forma, envolveram pessoas famosas, como o caso do raptor do filho de Lindenberg.

Em tais processos, sempre a opinião pública se inflama e de alguma forma, influencia os próprios jurados, de maneira a que esses condenem ou absolvam.

Desde as primeiras idades, quando a chama tênue do pensamento de justiça acendeu no homem, ele começou a julgar os seus irmãos.

Muitas vezes, o sentimento de justiça ficou empanado pelas paixões e interesses mesquinhos, levando o homem a cometer erros, punindo seu semelhante com o cerceamento da liberdade, o confisco de bens e a morte.

Nos dias atuais, prosseguimos a julgar o semelhante com todo rigor, sem estabelecer critérios e princípios básicos.

Afoitos, opinamos e damos a nossa sentença tão logo a imprensa torne pública a conduta desta ou daquela criatura, embora desconhecendo detalhes e razões.

E não tememos aumentar um pouco a intensidade da falta cometida, mesmo para justificar a impiedade com que julgamos e a sentença que proferimos.

Por vezes, a inveja por não ter conseguido alcançar a posição social, o cargo ou a função do julgado, nos incita ainda mais ao julgamento arbitrário.

E, mesmo assim, prosseguimos a nos afirmar cristãos. Seguidores de Jesus que ensinou:

Não julgueis para não serdes julgados, porquanto sereis julgados conforme houverdes julgado os outros.

Há necessidade de cultivarmos a indulgência e a empatia. A indulgência para olharmos os que erram com olhos de quem sabe que o equivocado é sempre um Espírito enfermo.

Não necessita do nosso frio julgamento, mas do nosso auxílio para superar sua problemática.

A empatia, a fim de nos situarmos no lugar daquele que julgamos e nos indagarmos se fôssemos nós os julgados, como nos sentiríamos?

Fosse nosso filho o julgado, como estaria o nosso coração?

A questão do julgamento nos parece fácil, porque os que são trazidos à barra pública do Tribunal não passam de números. Sequer nos recordamos que são seres humanos.

Mas são Espíritos imortais, exatamente como nós, e merecem receber justiça, não impiedade ou a carga das nossas frustrações.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

A lição do carvalho

Era um velho carvalho no meio de uma grande floresta. Há alguns anos, uma enorme tempestade o deixara quebrado e feio. Jamais conseguira se reerguer, como as demais árvores.

Quando a primavera chegava, o adornava de folhas novas e verdes e o outono tomava o cuidado de pintá-las todas de cor avermelhada.

Mas os ventos inclementes sopravam e levavam todas as folhas e nada mais podia disfarçar a sua feiúra.

A árvore foi se sentindo esquecida, abandonada, sem utilidade.

E um enorme vazio tomou conta dela.

Quando o vento do outono passou por ali, ela se lamentou: Ninguém mais me quer. Não sirvo para nada. Sou um velho inútil.

Mais alguns dias se passaram e, na proximidade do inverno, um pica-pau sentou-se em seu tronco e começou a bicá-lo, de forma insistente.

Tanto bicou que conseguiu fazer um pequeno furo, uma portinha de entrada para sua residência de inverno, no tronco oco do carvalho.

Arrumou tudo com muito bom gosto. Aliás, estava praticamente tudo arrumado. As paredes eram quentinhas, aconchegantes e havia muitos bichinhos que poderiam alimentá-lo e aos seus filhotes.

Como estou feliz em ter encontrado esta árvore oca! Ela será a salvação para mim e minha família no frio que se aproxima.

Pouco tempo depois, um esquilo aproximou-se e ficou correndo pelo tronco envelhecido, até achar um buraco redondo, que seria a janelinha da sua casa.

Forrou por dentro com musgo e arrumou pilhas e pilhas de nozes que o deveriam alimentar durante toda a estação de ventos gelados.

Como estou agradecido, falou o esquilo, por ter encontrado esta árvore oca.

O carvalho passou a sentir umas coisas estranhas. As asas dos passarinhos roçando em sua intimidade, o coração alegre do esquilo, suas patas miúdas apalpando o tronco diariamente fizeram com que a árvore se sentisse feliz.

Seus ramos passaram a cantar felicidade. Quando chegou a época das chuvas, deixou-se molhar, permitindo que as gotas escorressem por seus galhos, lentamente. Aceitou a neve que a envolveu em seu manto por muitas semanas, agradeceu os raios do sol e a luz das estrelas.

Tudo era motivo de felicidade.

A velha árvore redescobrira a alegria de servir.

Ninguém há que nada possua para dar. Ninguém existe que não possa fazer algo a benefício do seu irmão. Um sorriso, uma prece, um gesto, um abraço, um agasalho, um pão.

Há tanto que se fazer na Terra.

Existem tantos aguardando a cota do nosso gesto de ternura. Ninguém inútil ou desprezível. Cabe-nos redescobrir a riqueza que em nós existe e distribuí-la a quem dela necessite ou espere.

Se nos sentirmos solitários, em meio às dificuldades que nos alcancem, aprendamos a estender sorrisos nos caminhos por onde passarmos.

Antes de nos amargurarmos e cobrar gestos de carinho de amigos e parentes, antecipemo-nos e doemos a nossa cota de amor, ainda hoje, permitindo-nos usufruir a alegria de dar e dar-se.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Discussões estéreis

A linguagem articulada é um dos grandes dons que felicitam a humanidade, distinguindo-a no concerto da criação.

Mediante a linguagem transmitem-se tesouros de pensamento e cultura, tratando-se de um elemento facilitador do progresso.

Importa preservar esse valioso recurso, dando-lhe destinação útil.

Assim verifique o modo como você utiliza a palavra.

Cuide para que esse dom não se converta em instrumento de suplício para seus semelhantes.

É natural e mesmo esperado que você busque compartilhar com o próximo seus ideais e experiências.

Encontrando-se convencido do acerto do seu modo de ver e perceber a vida, pode experimentar a tentação de converter os demais.

Para bem evidenciar a correção de seu pensamento, talvez ache necessário empenhar-se em infindáveis discursos e longas discussões.

Contudo, com esse proceder, bem cedo se tornará cansativo aos seus amigos e familiares.

Uma coisa é trocar idéias com os semelhantes, com humildade e delicadeza, ouvindo e refletindo sobre o que eles têm a dizer.

Outra, bem diferente e antipática, é tentar impor às consciências alheias a sua forma peculiar de entender o mundo.

Constitui sinal de vaidade pensar que apenas você foi brindado com a capacidade de perceber a realidade que o cerca.

É razoável pretender que todos os que o rodeiam permanecem nas trevas da ignorância?

Já imaginou que talvez eles, com mais brilho do que você, compreendam a vida sob prismas mais profundos e lógicos?

Nesse caso, o que os mantém em silêncio não será a humildade?

Ou talvez seja a generosidade que os impede de tentar convencê-lo, por perceberem que você ainda não possui condições para acompanhar-lhes o raciocínio.

É importante pensar nisso antes de assumir o papel de conversor compulsório dos semelhantes.

Mas imaginemos que o seu sistema de pensar e sentir realmente seja o melhor.

Isso o autoriza, de algum modo, a forçar as consciências dos outros?

Se ainda ontem você não havia entendido a lição que hoje quer ensinar, trata-se de um eloqüente sinal de que tudo no mundo tem o seu momento próprio.

É natural que você deseje ver seus amores no melhor caminho, mas violentar o modo de sentir do próximo cria apenas resistência.

Saber respeitar o nível de entendimento dos outros é sinal de sabedoria e de maturidade.

Qualquer corrente filosófica, política ou religiosa que não contenha em suas bases o respeito ao ser humano possui grave falha.

Entretanto, sendo impróprio a você impor suas idéias, nada o impede de evidenciá-las diariamente pelo exemplo.

Assim, viva com a pureza possível de conformidade com os seus ideais.

Torne a sua conduta reta o reflexo de seus pensamentos.

Sendo sublimados os seus atos, os outros não tardarão a perceber a beleza da teoria que os embasa.

Não se perca, pois, em estéreis discussões.

Não enfade seus ouvintes com arengas repetitivas.

Respeite o livre-arbítrio dos que o cercam.

No mundo, é importante dizer o necessário.

Mas também é preciso não perder tempo com quem não tem interesse em suas palavras.

sábado, 16 de janeiro de 2010

Entendimento

Tales de Mileto, filósofo grego, o mais antigo dos Sete Sábios da Grécia (640 a 550 d.C.), durante parte de sua vida foi um bom comerciante. Após enriquecer, retirou-se dos negócios e pôde dedicar-se aos estudos, adquirindo muitos conhecimentos através de viagens.
Aprendeu Geometria com sacerdotes egípcios, previu o primeiro eclipse solar no ano de 500 a.C. e determinou a duração do ano. Ainda em vida, foi considerado o pai da Astronomia, da Geometria e da Aritmética. Em certa ocasião, foi inquirido sobre 9 questões. Ei-las, seguidas da respostas de Tales:
1. QUAL A COISA MAIS VELHA DE TODAS AS COISAS?
Deus, porque Ele sempre existiu.
2. QUAL A MAIS BELA DE TODAS AS COISAS?
O Universo, porque é trabalho de Deus.
3. QUAL A MAIOR DE TODAS COISAS?
O Espaço, porque ele contém o que foi criado.
4. QUAL A MAIS CONSTANTE DE TODAS AS COISAS?
A Esperança, porque ela permanece nos homens mesmo depois de terem perdido tudo.
5. QUAL É A MELHOR DE TODAS AS COISAS?
A Liberdade, porque sem ela não há nada de bom.
6. QUAL É A MAIS RÁPIDA DE TODAS AS COISAS?
O Pensamento, porque em um segundo pode voar para o extremo do Universo.
7. QUAL É A MAIS FORTE DE TODAS AS COISAS?
A Necessidade, porque ela faz os homens enfrentarem os perigos da vida.
8. QUAL É A MAIS FÁCIL DE TODAS AS COISAS?
Dar conselhos.
9. QUAL A MAIS DIFÍCIL DE TODAS AS COISAS?
Conhecer a si mesmo.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Quando o amor se expressa

Quando se vê uma mulher grávida, quase sempre se pergunta se ela já sabe se é menino ou menina.

E quando ela ainda não tem essa certeza, responde: "não importa o que seja, desde que seja perfeito, com saúde."

Este é o anseio de todos os pais. Assim também aconteceu com aquele casal belga, na flor dos seus 20 anos.

Os filhos chegaram um a um, sadios. Tudo transcorria bem, até que sua caçula Stephanie, morreu, aos 3 meses, vítima da síndrome da morte súbita na infância.

Somente a fé cristã fortaleceu o mundo abalado daquela família. Nada poderia trazer de volta sua filha, mas eles se deram conta de quão preciosa era a vida de uma criança.

Tomaram uma resolução. Não foi nada de momento. Deixaram passar quatro anos e Christiane deu à luz mais um filho. Resolveram que podiam acolher em sua casa e amar uma criança que não tivesse família. Que não tivesse quem a amasse.

Ao se inscreverem no programa de adoção, seus nomes ficaram como os últimos de uma lista interminável.

Afinal, eles eram pais de três crianças, saudáveis e felizes.

O contato com um missionário recém chegado do Haiti lhes abriu as portas de uma nova vida.

Eles receberam Hélène, de 4 anos, em 1981. A pequena menina negra era cheia de vida e se uniu aos outros três filhos do casal.

Em seguida, um menino indiano, com seqüelas de poliomielite, chegou. Várias cirurgias depois, verificou-se que ele nunca voltaria a andar com suas próprias pernas.

Depois vieram os outros, do Brasil, da Colômbia, de Camarões, do Haiti.

Hoje, são 19 filhos. Onze adotados. Sete têm deficiências físicas ou mentais, ou ambas.

Todos os dias letivos, pouco depois das 4 da tarde, ônibus e carros chegam de variadas escolas e deixam 11 crianças na casa dos boldos.

Elas saem correndo, mancando ou rolando em cadeiras de rodas. Entram em casa para vasculharem a cozinha à procura de petiscos, procurando mãe e pai para darem um abraço.

O casal hoje beira os 40 anos. Os filhos mais velhos já têm suas vidas. Casados, com suas profissões, eles não perderam o contato com a família.

Christiane, a mãe, tem uma fórmula especial de definir a própria família: "ela foi construía pedra por pedra.

Uma criança era adotada, outra nascia. As que já estavam aqui achavam que essa era a ordem natural da vida."

Ao longo desses anos, a família boldo criou na Bélgica uma fundação com o propósito de encontrar lares adotivos para crianças órfãs com deficiência.

Eles se deram conta que se eles eram capazes de criar uma criança deficiente, outros também poderiam ser.

Hoje, a média mensal da fundação é encontrar lares para uma ou duas crianças.

Tem 11 funcionários. Mas o melhor é o corpo de médicos, psiquiatras e fisioterapeutas - todos voluntários.

E o casal boldo está plenamente envolvido nesse trabalho.

Mas a família continua a ser o centro de suas vidas.

As crianças que lhes chegam estão feridas no espírito e no corpo.

Chegou uma criança abandonada em pleno carnaval, no Brasil. Um garoto com deficiência mental e defeito cardíaco inoperável, egresso da guerrilha na Colômbia.

Em 22 anos, os boldos já conduziram 410 crianças com deficiências, de 20 países diferentes, a lares de famílias belgas.

E dizer que tudo começou pela dolorosa perda de uma filha de apenas 3 meses de idade.
 
O amor é expressão superior que motiva o ser a altos cumes.

Quando se apresenta, oferece condições de superação de toda dor e permite ao sofredor, vislumbrar o sol para além da cortina das lágrimas.

Mais do que isso: confere-lhe condições de encontrar almas mais sofridas que ele próprio e estender as mãos para ajudá-las.

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

A Vida não dá coisa alguma sem retribuição e sobre cada coisa concedida pelo destino, há secretamente um preço, que cedo ou tarde deverá ser pago.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

A colheita de amanhã

Aquele homem de cabelos brancos e rosto sulcado por profundas marcas que o tempo esculpiu, certamente tinha acumulado muitas experiências que a vida lhe proporcionara.

Quantos sorrisos, quantas lágrimas já haviam contemplado aquele velho rosto agora cansado e quase sem expressão.

Empregou seu tempo de juventude construindo o futuro e amparando a esposa e os filhos. Agora que suas forças físicas estavam sumindo e o corpo quase não obedecia aos comandos do cérebro, ele foi viver com um dos filhos, a nora e o neto de seis anos de idade.

Sentia-se um intruso naquele lar. Tinha saudades da esposa, que já havia retornado ao mundo dos espíritos há alguns anos.

Nos primeiros dias o vovô se sentava à mesa para fazer as refeições junto com os familiares, mas a nora não estava gostando que aquele velho de mãos trêmulas derramasse alimentos sobre a mesa e no chão.

Sim, uma visão embaralhada e mãos que tremem, deixam rolar algumas ervilhas, derramar o leite do copo, sujar a toalha.

O filho e a nora não suportaram por muito tempo aquela sujeira toda, providenciaram uma mesa pequena e a colocaram no canto da sala. Agora o vovô passaria a comer lá, sozinho, pois o barulho das suas mastigadas rudes também incomodavam o jovem casal.

O velho homem também havia quebrado dois pratos e por isso passou a comer numa tigela de madeira, por ordem do seu filho.

O neto era a única pessoa que se aproximava do velho e só ele percebia que, vez em quando, uma lágrima rolava discretamente do olho do vovô.

Apesar da pouca idade, o garoto sabia que as lágrimas eram por causa do abandono e da solidão e tentava animar o vovô com sua alegria infantil.

Numa noite, em que o casal conversava na sala de jantar, o pai notou que o menino lidava com pedaços de madeira e outras sucatas jogadas no chão, e lhe perguntou interessado:

- Filho, o que você está fazendo com essas madeiras?

O filho respondeu com a doçura e a inocência de seus seis anos:

- Estou fazendo duas tigelas de madeira. Uma é para você, e a outra para a mamãe. Afinal, quando eu crescer vocês precisarão delas.

As palavras do garoto foram um golpe para os pais, que ficaram mudos por alguns minutos.

Depois, entenderam a lição e grossas lágrimas rolaram dos seus rostos jovens.

E, naquela mesma noite, na hora do jantar, o marido foi buscar seu velho pai e o trouxe para sentar-se à mesa e usar talheres e pratos como todos os outros.

Sem entender o que estava acontecendo, aquele homem de cabelos brancos e rosto sulcado por profundas marcas que o tempo esculpiu, pôde fazer parte outra vez do mundo dos vivos, apesar das mãos trêmulas e da visão embaralhada.

Os pais são espelhos vivos dos filhos, que neles buscam um norte para suas vidas.

Lembre-se sempre de que eles o observam e seguem as suas pegadas.

Por essa razão, vale a pena deixar marcas de luz e exemplos dignos de serem seguidos.