Zaila estrelinha
Não sei se vocês me conhecem.
Sou a Zaila e fiquei alguns meses no site do AUG para adoção.
Pretinha, velhinha, sem nenhum grande atrativo a não ser a minha doçura e a minha voz rouca. Acho que poucos notaram que eu existo.
Há um tempo, a tia Susan colocou até uma fitinha em mim pra eu tentar me destacar, tentar fazer com quem alguém me notasse, sabe?
Fiquei charmosa nas fotos. Mas continuei sendo a pretinha, velhinha, sem nenhum grande atrativo. E nunca recebi NENHUM formulário.
Passei minha vida na rua, tendo uma cria atrás da outra, comendo lixo.
Até que um dia entrei numa casa, onde moravam dois gatinhos. Era a casa da tia do Marcos, marido da tia Susan.
Ela começou a falar fininho comigo e me alimentar.
Demorei para me aproximar, mas achei o lugar bacana. E quando dei cria, levei meus bebês para lá: Barack e Michelle, pretinhos como eu.
Eles foram recolhidos pelo site e adotados.
Eu não. Ainda era muito assustada e ninguém conseguia me pegar...
E alguns meses depois veio outra gravidez e eu já estava super hiper mega boazinha e carinhosa. Mas eu já estava velhinha e não consegui parir, um neném entalou. Me levaram para fazer cesárea, cuidaram dos meus bebês na mamadeira e sobreviveram dois, adotados pelas tias Mariana e Gisele.
Do lar temporário eu fui para o abrigo, do abrigo fui para a casa da tia Susan, que queria ficar comigo desde o começo, mas estava com a casa cheia de gatinhos e nunca tinha espaço para mim.
A vida me judiou. Sempre fui franzinha e assustada. E ganhei manchinhas nos olhos, muito expressivos, por sinal. A impressão que a tia Susan tinha é que meus olhinhos eram mofados e que eu tinha passado muito frio nessa vida.
No quintal, o que eu mais gostava era da hora do sol. Me espichava toda de barriga pra cima, que delícia.
Quando não estava no sol, ficava encolhida em algum paninho, como boa senhorinha.
Mas eu adoeci. Tia Susan notou que eu espirrava muito e que estava mais "durinha" que o normal. E me botou numa gaiolinha.
Só ali ela poderia ver se eu comia, bebia, usava a caixinha... e as semanas se passaram e minha gripe foi piorando, os remédios eram trocados e não faziam efeito. Parei de comer, de beber, de miar, de sorrir, de curtir o sol. E hoje eu parti.
Na próxima vida quero nascer gato branco, quero nascer siamesa, quero nascer amarela ou azul, porque ainda quero saber o que é ser escolhida, ser amada, ter um lar, dormir na cama debaixo do edredon. Vida de gato preto é muito triste.
Escrito por Susan às 10h46
Blog Adote um Gatinho
http://adoteumgatinho2.zip.net/arch2010-05-16_2010-05-22.html#2010_05-21_11_46_35-10813824-0
Sou defensora dos direitos dos animais, do meio ambiente e vegana por amor aos animais.
Mostrando postagens com marcador ILUMINADOS. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador ILUMINADOS. Mostrar todas as postagens
sábado, 22 de maio de 2010
Luz na escuridão
Um dia, um menino de 3 anos estava na oficina do pai, vendo-o fazer arreios e selas. Quando crescesse, queria ser igual ao pai. Tentando imitá-lo, tomou um instrumento pontudo e começou a bater numa tira de couro. O instrumento escapou da pequena mão, atingindo-lhe o olho esquerdo.
Logo mais, uma infecção atingiu o olho direito e o menino ficou totalmente cego.
Com o passar do tempo, embora se esforçasse para se lembrar, as imagens foram gradualmente desaparecendo e ele não se lembrava mais das cores. Aprendeu a ajudar o pai na oficina, trazendo ferramentas e peças de couro.
Ia para a escola e todos se admiravam da sua memória. De verdade, ele não estava feliz com seus estudos. Queria ler livros. Escrever cartas, como os seus colegas. Um dia, ouviu falar de uma escola para cegos.
Aos dez anos, Louis chegou a Paris, levado pelo pai e se matriculou no instituto nacional para crianças cegas. Ali havia livros com letras grandes em relevo. Os estudantes sentiam, pelo tato, as formas das letras e aprendiam as palavras e frases. Logo o jovem Louis descobriu que era um método limitado. As letras eram muito grandes. Uma história curta enchia muitas páginas. O processo de leitura era muito demorado. A impressão de tais volumes era muito cara. Em pouco tempo o menino tinha lido tudo que havia na biblioteca.
Queria mais. Como adorava música, tornou-se estudante de piano e violoncelo. O amor à música aguçou seu desejo pela leitura. Queria ler também notas musicais.
Passava noites acordado, pensando em como resolver o problema. Ouviu falar de um capitão do exército que tinha desenvolvido um método para ler mensagens no escuro. A escrita noturna consistia em conjuntos de pontos e traços em relevo no papel. Os soldados podiam, correndo os dedos sobre os códigos, ler sem precisar de luz.
Ora, se os soldados podiam, os cegos também podiam, pensou o garoto. Procurou o capitão Barbier que lhe mostrou como funcionava o método. Fez uma série de furinhos numa folha de papel, com um furador muito semelhante ao que cegara o pequeno.
Noite após noite e dia após dia, Louis trabalhou no sistema de Barbier, fazendo adaptações e aperfeiçoando-o. Suportou muita resistência. Os donos do instituto tinham gasto uma fortuna na impressão dos livros com as letras em relevo. Não queriam que tudo fosse por água abaixo.
Com persistência, Louis Braille foi mostrando seu método. Os meninos do instituto se interessavam. À noite, às escondidas, iam ao seu quarto, para aprender. Finalmente, aos 20 anos de idade, Louis chegou a um alfabeto legível com combinações variadas de um a seis pontos.
O método Braille estava pronto. O sistema permitia também ler e escrever música. A ideia acabou por encontrar aceitação. Semanas antes de morrer, no leito do hospital, Louis disse a um amigo: "Tenho certeza de que minha missão na Terra terminou."
Dois dias depois de completar 43 anos, Louis Braille faleceu. Nos anos seguintes à sua morte, o método se espalhou por vários países.
Finalmente, foi aceito como o método oficial de leitura e escrita para aqueles que não enxergam. Assim, os livros puderam fazer parte da vida dos cegos. Tudo graças a um menino imerso em trevas, que dedicou sua vida a fazer luz para enriquecer a sua e a vida de todos os que se encontram privados da visão física.
Há quem use suas limitações como desculpa para não agir nem produzir. No entanto, como tudo deve nos trazer aprendizado, a sabedoria está, justamente, em superar as piores condições e realizar o melhor para si e para os outros.
Marcadores:
ILUMINADOS
Assinar:
Postagens (Atom)
