quinta-feira, 9 de março de 2017

DIA INTERNACIONAL DA MULHER

Psiu, gostosa Vem aqui Ô linda Foge não Vadia Nojenta Vagabunda Piranha Bruxa Lixo Ô mocinha Toma um banho Limpa teu sangue Eu prefiro limpa, assim Limpa esse chão Limpa essa louça aqui Quero teu corpo limpo Ô querida Tão nervosa Não precisa É louca É neurótica Fica quietinha Fecha a perninha Sente como menininha É tão frágil É cristal Mimo meu Na minha estante Calada Muda Silenciada Ei, mulher Eu tenho uma flor Feliz dia Sorria Eu salvei o dia Toma, boneca Uma promoção de perfume Maquiagem mais em conta Lingerie na promoção É teu dia, bonita! Tá com frescura, gatinha? Volta aqui Vamos conversar Eu não queria ter de te machucar Vai dar jogo pro azar? Bruxa Vagabunda Filha da puta Eita, coitadinha Tão novinha Quis dar Não soube se cuidar Agora nada de abortar Engula essa tua culpa Mamãe Trancada Forçada Quem mandou? Ah, mas isso é fase Hoje não quer ser mãe Quando encontrar homem bom Espera só, querida Toda mulher nasce pra isso É vocação Questão de tempo Espera só Só Dupla jornada Balela de louca Eu sou um fofo Estou aqui com sua pensão Sua vocação Não minha Olha, putinha Quer abortar? Teu nome tá em sangue Lá no chão da favela 1 milhão por ano Clandestinas É Gabriela? Cravo ou Canela? Não tem chá Não tem pai Não tem saúde Não tem Não Não pode descuidar Tem que tomar A pílula Engula Um pouquinho a cada dia Trombofílica Hipertensa Cancerígena Mas descuidar não pode Pode suas asas Olha ali, tá gordinha Desleixou Tá descuidada Desse jeito acaba sozinha Mas tem rosto tão bonito Não se cuida Questão de saúde, sabe? Me preocupo Juro que não é padrão Filme de terror É rua escura Passo próximo Respiração ritmada Pensou era demônio Era homem Ali Sozinha Suja Pintando a sarjeta de sangue Por hora são onze Vocês querem falar sobre flores? Eu não quero nem vê-las. A bizarrice poética desse dia é fruto da dor das nossas mulheres: estupradas, silenciadas, subestimadas, impedidas, mutiladas, espancadas, violentadas, exploradas, forçadas. Todos. Os. Dias. 8 de março é dia de luta. (08.03.2016) DE : Luiza Passarin

quinta-feira, 2 de março de 2017

É preciso tolerar e aceitar as pessoas como elas são, porém, conservando-nos o direito de nos afastar cordialmente de quem não nos agrada.

A tolerância é uma necessidade urgente neste mundo violento de hoje, em que uma simples discussão no trânsito pode chegar a provocar mortes. A intolerância é a mãe do preconceito, da exclusão, do racismo, de tudo, enfim, que segrega, separa e agride o que não se aceita, o que não se acha normal, o que incomoda sem nem haver razão. Sim, é preciso tolerar e aceitar as pessoas como elas são, porém, conservando-nos o direito de nos afastar cordialmente de quem não nos agrada. Podemos entender que o outro tem a própria maneira de pensar, que sua história de vida é peculiar e suas bagagens podem ser totalmente diferentes das nossas. Podemos compreender que as verdades alheias, por mais que nos soem ilógicas e absurdas, são do outro tão somente e não necessariamente nossas. Desde que não nos firam, as escolhas do outro não nos dizem respeito. Desde que o outro esteja feliz, sem pisar ninguém, não temos como tentar intervir em estilos de vida que não são nossos. Devemos saber discordar sem ofender, sem tentar impor o que pensamos como verdade absoluta – isso é arrogância burra. Necessitamos ouvir o que o outro tem a dizer, por mais que não enxerguemos ali razão alguma, mesmo que o que disserem ou fizerem seja exatamente o contrário de tudo o que temos como certo. Desde que não nos ofendam, nem ultrapassem os limites de nossa dignidade pessoal, os outros terão o direito de viver o que bem quiserem. Por força maior, como o emprego ou a família, inevitavelmente estaremos sujeitos à obrigação de conviver ao lado de pessoas com quem não simpatizamos ou cujas ideias não se afinem minimamente com as nossas. No entanto, sempre poderemos escolher quem ficará ao nosso lado nos momentos mais preciosos de nossa jornada, enquanto construímos nossa história de vida, de luta e de amor. Da mesma forma, conseguiremos nos desviar de quem nos desagrada, afastando-nos das pessoas que nada nos acrescentam, sem precisar criticá-las ou brigar com elas. Sim, podemos – e devemos – aceitar as pessoas como elas são, pois isso é o mínimo que se requer, em se tratando de sociedade, porém, não seremos obrigados a conviver além do necessário, além do suportável, além do adequado, com gente que enche a paciência e nos irrita. Isso seria masoquismo. MARCEL CAMARGO

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

A ELEGÂNCIA DO COMPORTAMENTO

Existe uma coisa difícil de ser ensinada e que, talvez por isso, esteja cada vez mais rara: a elegância do comportamento. É um dom que vai muito além do uso correto dos talheres e que abrange bem mais do que dizer um simples obrigado diante de uma gentileza. É a elegância que nos acompanha da primeira hora da manhã até a hora de dormir e que se manifesta nas situações mais prosaicas, quando não há festa alguma nem fotógrafos por perto. É uma elegância desobrigada. É possível detectá-la nas pessoas que elogiam mais do que criticam. Nas pessoas que escutam mais do que falam. E quando falam, passam longe da fofoca, das pequenas maldades ampliadas no boca a boca. É possível detectá-la nas pessoas que não usam um tom superior de voz ao se dirigir a frentistas, por exemplo. Nas pessoas que evitam assuntos constrangedores porque não sentem prazer em humilhar os outros. É possível detectá-la em pessoas pontuais. Elegante é quem demonstra interesse por assuntos que desconhece, é quem presenteia fora das datas festivas, é quem cumpre o que promete e, ao receber uma ligação, não recomenda à secretária que pergunte antes quem está falando e só depois manda dizer se está ou não está. Oferecer flores é sempre elegante. É elegante não ficar espaçoso demais. É elegante você fazer algo por alguém, e este alguém jamais saber o que você teve que se arrebentar para o fazer... porém, é elegante reconhecer o esforço, a amizade e as qualidades dos outros. É elegante não mudar seu estilo apenas para se adaptar ao outro. É muito elegante não falar de dinheiro em bate-papos informais. É elegante retribuir carinho e solidariedade. É elegante o silêncio, diante de uma rejeição... Sobrenome, jóias e nariz empinado não substituem a elegância do gesto. Não há livro que ensine alguém a ter uma visão generosa do mundo, a estar nele de uma forma não arrogante. É elegante a gentileza. Atitudes gentis falam mais que mil imagens... Abrir a porta para alguém é muito elegante... Dar o lugar para alguém sentar... é muito elegante... Sorrir, sempre é muito elegante e faz um bem danado para a alma... Oferecer ajuda... é muito elegante... Olhar nos olhos, ao conversar é essencialmente elegante... Pode-se tentar capturar esta delicadeza natural pela observação, mas tentar imitá-la é improdutivo. A saída é desenvolver em si mesmo a arte de conviver, que independe de status social: Se os amigos não merecem uma certa cordialidade, os desafetos é que não irão desfrutá-la. Adaptação de texto extraído do Livro: EDUCAÇÃO ENFERRUJA POR FALTA DE USO [pintor francês e deficiente físico, Henri TOULOUSE LAUTREC (1864-1901).

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

Gente ou animal?

A natureza é fantástica! Você não acha?! Pois é, existem pessoas que não acreditam nisto, e outras - Graças a Deus - que sabem o quão maravilhosa ela é! Ainda bem que existem os que sabem, pois estes podem aos poucos, mostrar àqueles descrentes a sua grandiosidade. Mas, o assunto nem é este. Vamos falar sobre uma mania ou até trejeito popular de se dirigir ao próximo quando o elogia ou menospreza. Uma maneira que acho bastante peculiar e que confesso me deixa por vezes "nervosa" por escutar ... Será que você já escuto também? Vou re explicar. Preste atenção nessas frases, ok? - Fulano é corajoso como um leão!; - Sicrano é forte como um touro!; - Beltrano tem olhos de águia! Percebeu que todos eles trazem uma particularidade animal que se torna um adjetivo e define o sujeito de que se fala?! Interessante, não?! [...] Eu também acho. Porém é tão comum o ato de elogiar, que poucos "nem" notam o movimento inverso, quando se pretende menosprezar um terceiro. Não acredita? Quer ver? Pois bem, te mostro! Observe estes próximos exemplos: - Maria é peçonhenta como uma cobra!; -João é gordo que nem uma baleia!; - Pedro é cego como uma toupeira! Notou agora a diferença?! Não?! Caro leitor, deixe-me contar o que me revolta ou me deixa nervosa como disse no início de meu relato: Não vejo motivos para depreciar o próximo com uma característica específica de determinado animal. E te explico o motivo: 1º) O homem é um animal como qualquer outro. 2º) O ato de animalizar determinada pessoa não o torna menor que um animal. 3º) O que o ofensor usar para desdenhar do outo, nada mais é, do que um comportamento completamente normal ao animal citado. Parece besteira essa agonia que sinto ao ouvir frases desse tipo. Saiba que não é! Uma brincadeira de péssimo gosto como esta se internaliza na mente do coletivo e levam muitos a crerem, po exemplo, que cobras são ruins. E este é apenas uma das pontinhas do montante. Agora pare para pensar: O que torna o leão digno e a cobra indigna de admiração?! Ambos são animais graciosos e magníficos dentro de seu habitat natural, São animais que se alimentam por meio de caça, ambos matam para isso. Ambos possuem prole. Ambos são inteligentes e usam o ambiente ao seu favor. E ambos morrem. Ambos merecem respeito, ambos são animais como eu e você! E em meio aos meus devaneios, sobre esta questão, me deparo com esta intrigante situação: Animalizar é correto? Ou humanizar o próprio humano não seria a melhor opção?! E qual tua opinião? Texto: Bruna Sanguinetti

segunda-feira, 5 de setembro de 2016

O que elogiar?

Numa cidade vivia um homem que todos diziam ser o protótipo da maldade. Ele morava sozinho, não tinha amigos, não permitia que ninguém passasse em sua calçada, detestava animais, quando a bola dos garotos caía em seu quintal ele a furava, e por isso todo mundo dizia que quando ele morresse não haveria quatro pessoas para carregar seu caixão. Na mesma cidade, vivia outro cidadão que tinha uma peculiaridade: gostava de acompanhar todos os enterros que ali ocorriam e no cemitério fazia questão de, antes do caixão descer ao túmulo, enaltecer as qualidades do falecido. Um dia, nosso primeiro personagem, o homem ruim, morreu. E na cidade onde havia corrido o dito de que não haveria quatro homens para carregar seu caixão, o que aconteceu? Foi o enterro mais concorrido de que já haviam tido notícia, não pelo morto, e sim por aquele nosso outro personagem que costumava fazer discursos elogiosos aos mortos. Todos queriam ouvir as qualidades que ele tinha para enaltecer no morto. A população compareceu em peso ao cemitério e na hora que o caixão desceu ao túmulo todos os olhos se voltaram para o homem que elogiava. E ele disse: — Coitado, ele assobiava tão bem... Por pior que seja a pessoa, sempre há alguma coisa para se elogiar nela.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

A Pergunta

Não é espantoso que tão poucos de nós façamos a nós mesmos a importante pergunta? Há vários anos, fui convidado para ouvir uma interessante palestra que seria endereçada ao corpo estudantil de uma pequena faculdade na Carolina do Sul. O auditório estava repleto de estudantes excitados com a possibilidade de ouvir uma palestrante daquele quilate. Depois que o governador fez a apresentação, ela se dirigiu ao microfone, percorreu a plateia com o olhar, e começou: - Minha mãe era surda-muda. Não sei quem é ou quem foi meu pai. O primeiro emprego que consegui foi numa plantação de algodão. A plateia estava fascinada. - Nada tem de continuar da maneira que está se a pessoa não quiser que seja assim - continuou. - Não é uma questão de sorte e não são as circunstâncias do nascimento de alguém que determinam o seu futuro. Nada tem de continuar da maneira que está se a pessoa não quiser que seja assim - repetiu devagar. - Tudo o que ela tem a fazer - acrescentou com voz firme - para mudar uma situação que esteja trazendo infelicidade ou insatisfação é responder à pergunta: "Como é que eu quero que seja?" Então deve dedicar todos os seus esforços para atingir esse ideal. Em seguida, deu um lindo sorriso e disse: - Meu nome é Azie Taylor Morton. Estou aqui hoje, diante de vocês, como Secretária do Tesouro dos Estados Unidos da América.

quinta-feira, 17 de setembro de 2015

Os Donos da Verdade.

Conviver com um dono da verdade é uma tarefa muito difícil e desgastante, por maior que seja nossa compreensão, boa vontade ou tolerância. Criam um clima de tensão por onde passam. Todos nós temos nossas verdades, motivos e convicções, mas também não é necessário impô-las. É totalmente possível interagirmos de forma firme mas respeitosa e educada quando defendemos nossas verdades. Trocando idéias e experiências teremos a oportunidade de aprender, sejamos firmes em nossas convicções, mas inteligentes, humildes e maduros para aceitar ou ao menos compreender a verdade dos outros.

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