Gosto de histórias. Das que estão nos livros e das que acontecem na vida.
Leio suspense policial, ficção científica, biografias, assisto documentários e praticamente tudo o que aparece pela frente. Embora, para ser sincera, ultimamente as bulas de remédio estejam ocupando um espaço considerável na minha lista de leituras...
Gosto de cuidar de plantas e observar, com paciência, cada folha nova que surge. Amo os animais de um jeito que às vezes nem sei explicar. Amo dividir a cama com gatos e cachorros, sentir aquela companhia silenciosa que aquece mais do que qualquer cobertor.
Carrego saudades da Sophia, que partiu deixando um espaço impossível de preencher. E sinto falta da Tapioca, que hoje está em Recife, mas continua morando aqui dentro, onde a distância não alcança.
Meus olhos brilham ao ver minha netinha descobrindo o mundo. E meu coração já se emociona imaginando a outra, que ainda cresce na barriga da mãe, preparando sua chegada. Há algo de mágico em acompanhar o começo de uma vida.
Também tenho meus filhos. Já são adultos, mas a verdade é que mãe nunca atualiza essa informação dentro do coração. A preocupação continua a mesma de quando eram pequenos.
Gosto de observar a natureza, de encontrar beleza nas coisas simples, de criar artesanatos com as próprias mãos e transformar matéria-prima em algo único.
E gosto de cozinhar. Talvez porque cozinhar também seja uma forma de criar. Adoro pegar receitas tradicionais e reinventá-las em versões veganas, preservando sabores, memórias e afeto. Há uma satisfação especial em sentar à mesa sabendo que nenhum sofrimento animal faz parte do meu prato.
Também sou feita de resiliência. A vida me mudou muitas vezes, me desafiou de formas que eu jamais imaginei e me obrigou a recomeçar mais de uma vez. E, ainda assim, continuo acreditando.
Continuo acreditando nas pessoas, mesmo quando elas me decepcionam. Continuo esperando justiça, honestidade e bondade, talvez porque eu mesma tente oferecer isso ao mundo. Tenho uma empatia que às vezes pesa, porque sinto a dor dos outros com facilidade, mas não saberia viver de outra forma.
Sou contra a pena de morte por razões que me parecem óbvias: acredito no valor da vida, mesmo quando ela se apresenta em suas formas mais difíceis e contraditórias. Talvez seja por isso que eu ame tanto os animais, as pessoas, as plantas e tudo aquilo que vive.
Essa sou eu hoje.
Amanhã, não sei.
Já mudei muito ao longo da vida. Mudei ideias, sonhos, caminhos, certezas e até versões de mim mesma. Mas algumas coisas permaneceram intactas: o amor pelos livros, pelos animais, pela natureza, pela criação, pela descoberta, pela família e pela vida em todas as suas formas.
O resto, o tempo decide.
Mas essas partes de mim estiveram aqui desde sempre.